segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

vô lima [2]

Eu pensava que tinha passado, ou pelo menos passado o pior, mas não. A chegada em casa, faltava alguém. Meu avô morreu. A hora de ir dormir, faltava alguém. Meu avô morreu. A poltrona vazia. Meu avô morreu. Nunca mais vou ouvir "¿tudo bien corazón?" ? Meu avô morreu. Era isso que vinha na minha cabeça depois de qualquer lembrança dele: Meu avô morreu. Parece macabro ler isso, mas a palavra morrer não é tão horrível assim, mesmo usada com seu devido significado. Era vários espaços vazios que ocupavam um só vazio em mim, digo, em toda a família. Meu pai demorou 20 minutos antes de sentar na ponta da mesa, onde meu avô sentava sempre. Meu pai chorava no quarto fechado sem ninguém ver. Eu rezei, nunca rezo, mas rezei dessa vez. Depois do almoço, voltamos para nossa cidade. No elevador do meu prédio meu pai perguntou se eu lembrava do que meu avô tinha me falado pro último.

-Não lembro pai. Acho que era " te quiero mucho."
- Quase isso. Antes, ele pediu que tu visitasse mais vezes ele.

É, eu preferia ter viver sem saber o resto, não sei se meu pai inventou, mas não precisava eu acho.